25 janeiro 2007

Não se pode vencer o tempo

por Martin Uhlir

Finalmente nevou e as montanhas estão brancas. Mas a neve chega três dias tarde demais para salvar um dos eventos mais importantes do inverno austríaco: a descida de Hahnenkamm, em Kitzbühl.

Para poder esquiar, foram transportados 6000 m3 de neve da montanha mais alta da Áustria, do Großglockner (3.798m ), para as descidas de Hahnenkamm em Kitzbühl. Foram gastos 350 000 euros para preparar as pistas ainda verdes. Ainda na quinta-feira passada a descida foi autorizada e os responsáveis pensavam que o esforço valeria a pena. Isso foi antes do furacão Kyrill.

A combinação do vento e da temperatura tornaram o inverno extremamente quente fazendo com que a neve derretesse 30 centímetros em 36 horas. Normalmente demoraria seis semanas na primavera para derreter essa quantidade de neve. Com 30 centímetros de neve a menos não é mais possível acontecer a corrida.

Depois de ter movido montanhas (de neve) e ter visto o vento destruir a obra, o responsável pela corrida de esqui chegou à dura conclusão: “Não se pode vencer o tempo”.
O mito da descida de Hahnenkamm em Kitzbühl

Tudo começou em 1931 quando a primeira corrida internacional de esqui aconteceu em Kitzbühl.
Mas somente por causa dos grandes esquiadores autríacos que ganharam na pista de Hahnenkamm, é que obteve um status particular. Com esta descida, associam-se esquiadores inesquecíveis como Franz Klammer, Karl Schranz, Toni Sailer, Hermann Maier e Stephan Eberharter. A descida clássica tem uma extensão de 3.312 metros. O recorde de 1:51,58 foi conseguido por Fritz Strobl em 1997.
A velocidade máxima nessa descida pode atingir 150 km/h e a velocidade média dos vencedores supera os 100 km/h.
Mas não somente as vitórias esportivas são inesquecíveis, mas também as festas de Kitzbühl. Críticos lamentam que hoje em dia as festas e o sucesso econômico sejam mais importantes que o esporte em si.